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Naturalism (from an intercultural perspective)

 

 

 

Naturalism refers to our stance about how to construct knowledge about nature (Ferm 1950). Nature is understood holistically through a perspective that considers psychological, social, and environmental (including metadisciplinary) contexts. Naturalism is a meta-theoretical mindset related to specific kinds of investigative attitudes (that is, empirical approaches), all of which are connected to a historical chain of accumulated results of inquiries into nature. Its results can be used effectively to deal with experienced situations (see Dewey 1925, pp. 1-39, and 1938, p. 8). Each cultural community shares its own effective solutions in relationship with its traditional cultural contents. Its historical evolution is guided by the reconstruction of solutions that may be a result of updated methodological approaches so that it interferes with cognitive values of future investigative enterprises.

For naturalists following scientism, naturalism is defined as a methodological strategy based on scientific statements with the aim to outline the ontological domain of real existence (Papineau 2015; Strahler 1992). Notwithstanding, naturalism may also go beyond scientific interests and practices. A commitment to empirical and contextual human experience as a way of dealing with problems and their possible solutions ties together all kinds of inquiry that several human communities can characterize as naturalistic (Moreira-dos-Santos & El-Hani 2017).

Naturalism has often been opposed to normative apriorism, that is, to Pythagorean or Platonic forms of rationality and their derivations (De Caro & Macarthur 2010, p. 4; Abrantes & Bensusan 2003). Naturalists are critical of the idea that norms related to knowing the truth could be maintained beyond human practices. Naturalists reject the stance that we might know nature by means of investigative avenues that exist independently of ontological domains of nature. It respects the fact that different cultures can have different perceptions about the borders of such domains. In fact, there is an intrinsic and inseparable relation between “culture” and “nature”. Paraphrasing Heywood (2017), “[we] should proceed as if those categories are the outcomes of complex [semantic, pragmatic or economic] negotiations between people and objects. Our understanding of the [nature] is inseparable from the [nature] itself...” (sentence adapted to our goals without to corrupt its core meaning). We should thus talk about different kinds of naturalism, such as Yanomami naturalism (Viveiros de Castro 1998), Indian naturalism (Chatterjee 2017), Buddhist naturalism (Lin 2020; Flanagan 2011; Inada 1970) or Yoruba naturalism (Ekanola 2006).

 

Frederik Moreira dos Santos

2020

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Naturalismo (de uma perspectiva intercultural)​

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Naturalismo se refere a nossa postura quando construímos conhecimento sobre o mundo natural (Ferm 1950). Natureza entendida holisticamente através de uma perspectiva que considere contextos psicológicos, sociais e ambientais (incluindo campos metadisciplinares). Uma postura naturalista envolve uma atitude metateórica atrelada a formas específicas de investigação, i.e. práticas empíricas, atreladas a uma cadeia de resultados acumulados historicamente em uma comunidade de investigação da natureza. Seus resultados podem ser efetivamente úteis para dar conta de novas situações problema na vida prática (ver Dewey 1925, pp. 1-39, e 1938, p. 8). Cada cultura compartilha suas próprias soluções efetivas dentro de suas próprias significações e tradições historicamente localizadas. Sua evolução histórica é guiada pela reconstrução de soluções que podem ser o resultado de abordagens metodológicas atualizadas de forma a poder interferir ou não em seus valores cognitivos empreendidos em ações e experiências futuras.

Segundo os naturalistas cientificistas, naturalismo é definido como uma estratégia metodológica baseada em asserções científicas com o objetivo de estabelecer o domínio ontológico da real existência no mundo natural (Papineau 2015; Strahler 1992). Não obstante, o naturalismo pode ir além dos interesses e práticas científicas. Pode ser interpretado como um compromisso com a dimensão empírica das culturas humanas como forma de lidar com os problemas sociais e materiais da vida cotidiana e existenciais em alguma comunidade específica (Moreira-dos-Santos & El-Hani 2017).

Frequentemente, naturalistas são contrários aos apriorismos normativos, ou seja, a uma racionalidade pitagórica ou platônica em suas várias versões (De Caro & Macarthur 2010, p. 4; Abrantes & Bensusan 2003). Naturalistas são críticos àqueles que defendem que as normas para conhecer a verdade se sustentariam para além das práticas humanas, seguindo caminhos investigativos para conhecer a Natureza que seriam acessados por descoberta, por existirem independentemente de uma comunidade de pesquisa. Eles rejeitam posturas que defendem que possamos conhecer a Natureza por caminhos investigativos que nasceram fora de tradições do contexto da criação humana resultado de nossas experiências dentro do domínio ontológico da natureza. Assim, não podemos ignorar o fato de que diferentes culturas constroem diferentes percepções sobre o domínio de suas fronteiras ontológicas do mundo que constitui o ambiente onde se dá suas experiências. De fato, há uma relação intrínseca e inseparável entre “cultura” e “natureza”. Parafraseando Heywood (2017), “[nós] deveríamos proceder tomando tais categorias como sendo resultado das complexas [semântica, pragmática e econômica] negociações entre pessoas e objetos. Nosso entendimento da [natureza] é inseparável [desta] em si mesma...” (sentença adaptada sem corromper seu significado nuclear). Desse modo, podemos falar de diferentes tipos de naturalismo, tais como: naturalismo Ianomâmi (Viveiros de Castro 1998), naturalismo Indiano (Chatterjee 2017), naturalismo Budista (Lin 2020; Flanagan 2011; Inada 1970), ou naturalismo Ioruba (Ekanola 2006).

Frederik Moreira dos Santos

2020

Bibliography

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Author Citation Information:

< Moreira-dos-Santos, Frederik, “Naturalism,” ODIP: The Online Dictionary of Intercultural Philosophy (2020), Thorsten Botz-Bornstein (ed.), URL = <www.Odiphilosophy.com/naturalism>.